Hanukkah, sonhos e João

por bonita detox

É, meu primeiro amor, meu amor mais puro agora só pode ser visto em meus sonhos. Esses dias eu não só chorei, eu morri um pouco. Durou uns 2 dias minha morte. Senti parte da minha alma desprendendo-se do meu corpo. Doía, eu não tinha como explicar a ninguém e nem como pedir ajuda. Calava fundo e cenas iam passando freneticamente em minha tela mental. Era um contraste com a melancolia do coração. Esse cabo de guerra deve ser o que provoca tanta lágrima. Hoje sonhei com ele, viajamos, falamos, ele me defendeu, comemos pão em um trem em movimento. Acordei bem, serena, tranquila e até feliz. Certo perdi o senso. Mas eu o sinto aqui mais do que nunca. De várias formas e muitas vezes durante anos, selamos um pacto de amor para algum tempo no futuro. Eu só não sabia que seria em outro corpo. Em todas as nossas falas, existiam as promessas de “nunca deixar”, “sempre cuidar”, “para sempre amar”. Era um moto contínuo de quem sabia que tudo o mais seria adiado por uma razão maior. Uma coisa curiosa, já que falo de comida aqui neste blog, nós nunca comemos muito juntos. Essa história do saco de sal passou longe de nós, o que prova que a teoria é furada, já que nos conhecíamos tanto e tão profundamente. Nós passávamos horas lado a lado rindo, conversando, ouvindo música, brincando com a fumaça e tudo isso em jejum. Às vezes, um chazinho de jasmim. Me lembro de uma fornada de croissants comprados em padaria que deixei queimar, provocando o lado mais sarcástico do meu convidado. Lembro que comemos uma salada que “não descia” na Cantina do Piero. Éramos alma e alma não se alimenta de comida. Nos alimentávamos um da presença do outro. Era simples. É simples. Agora continuamos juntos. Serei sua mensageira, será meu guia. O fio de prata brilha na imensidão das paralelas que se encontram no infinito. Hoje vamos comer sonhos, meu amor. É o segundo dia de Hanukkah.

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