Corpo de baile, coração de menina

por bonita detox

Bom, finalmente chegou meu exame de sangue da Alemanha. Nada mais apropriado já que foi de lá que ele veio. É bem minucioso e mostra tudo o que eu posso e não devo comer. Como eu já sabia,  leite de vaca ou farinha de trigo estão riscados da minha listinha de supermercado. Se eu ligo? Eu não. Está tudo ok agora. Pele de bebê de volta, ânimo para acordar cedo e encarar a agenda de ensaios da Cia de Ballet KR. The GIRL is back. É lá que a dor vai virar detalhe e a técnica vai falar mais alto. A vida só é dura pra quem é mole, já dizia Clarice Lispector ou a Dona Mira, que trabalhou um tempo aqui em casa, não sei bem. 🙂 Casa! Assunto que merece destaque. Agora divido apartamento com outra bailarina e estamos brincando de colar adesivos na parede, fazer comidinhas e misturar cosméticos na pia. Ela trouxe uns Body Shop, eu tenho os meus Naruko e assim fica tudo rosa, lindo e divertido. É muito gostoso compartilhar, cuidar e dividir. É assim que eu entendo a vida. Decidi que não sou madura o suficiente para querer saber de tudo, me coloquei no lugar de aprendiz e vi que tenho muito chão pela frente. Ser precoce e começar coisas importantes cedo, como casar e ganhar (muita) grana do próprio trabalho, me dá a sensação de estar vivendo várias vidas em uma. Isso não quer dizer que cresci. Isso quer dizer que apressei o passo. Crescer exige mais que isso. Crescer é olhar para os lados e esquecer do umbigo. E é também olhar muito para dentro e esquecer do lado de fora. Tive grandes perdas no último ano, meu amor-marido e meu amor-primeiro. Nesta seara não quero nem entrar. Amor é um assunto que não deve ser assunto. Deve acontecer, assim, de sopetão, virando uma esquina, caindo no colo e ficando ali, em paz. Por muitos e muitos anos. Que é amando de verdade que a gente cresce. ❤

Anúncios