Something’s gotta give

por bonita detox

Entre minha opinião e a do outro, seria a minha que prevaleceria. Estamos falando de amor. Ou de relacionamentos amorosos. Entre ir até o fim em uma discussão eu iria até meu limite e no final viraria as costas sem pensar. Mas hoje, no meio daquela guerra sem fim, que começou na tarde de domingo e foi noite adentro, com pausa para sono e continuação no carro, ou no sol de céu azul de hoje, quando você me pediu um minuto para atender uma ligação e foi caminhando uns passos à frente, eu comecei a te ver. Olhei suas pernas, sua postura, seu jeito meio adolescente tardio, um mundo de cenas começaram a passar na minha cabeça e eu senti que não queria ficar longe de você, nem ter razão, nem ser a dona da verdade, nem te modificar em nada. Eu percebi que, por você ser vivo, irônico, ter um mundo só seu, fazer piadas fora de hora, ter essa sickness mind, tudo isso faz você ser quem você é. E quem você é me tirou de uma apatia crônica naquela manhã improvável, em que eu me sentia impotente diante das injustiças do mundo e desacreditada nas pessoas. Quem você é te faz rir das suas pequenas desgraças e te faz encantador anárquico. Te faz ir num Shabbat em que as pessoas te abraçam, só para me agradar, te faz mastigar a folha do arbusto como prova de amor, te faz comprar 2 vezes os ingressos do “Tão Forte e Tão Perto” e concordar em desistir nas duas vezes, só porque por uma razão ou outra eu mudei de idéia. Mas voltando, quando olhei suas pernas, e eu não sei explicar, a sua força, o seu caráter, sim, eu também consegui enxergar tudo isso, naquela decisiva fração de segundo. E quando você voltou do telefonema, sentou perto de mim e sorriu, eu não consegui falar o que eu queria olhando para seus olhos, porque sou tão anárquica/bélica/orgulhosa/mimada/sick/kinky quanto você, escolhi sussurrar no seu ouvido: eu não quero ficar longe de você, eu te amo, você é quem eu esperava, nós dois somos terríveis, mas alguém aqui tem que ceder e eu cedo. Pronto. Eu cedo. Agora vale a pena.

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