Melancholia

por bonita detox

melancholiaO otimismo é uma espécie de entorpecente barato. Qualquer um pode adquirir e usar indiscrimidamnte. Mas não perto de mim, por favor. Tenho tido dificuldade em encontrar uma linha editorial para este blog. Não quero que seja mais um compêndio de posts lisérgicos sobre o maravilhoso mundo das compras, o soberbo mundo dos corpos, o intragável mundo das amizades posadas nas selfies. Não me contento e nunca me contentarei com a superfície da vida. Troco essa doença do sorriso instantâneo pela doença da melancolia arraigada em mim. Troco com orgulho porque a felicidade consiste em um contato íntimo com algo além e superior. E no meio dessa feira de frutas de plástico, prefiro me alimentar de choro. Estou desapaixonada pela vida e isso é fato. Nada disso que está aí tem me feito sorrir. Estou longe, muito longe do que acredito ser minha casa. Estou errante, sem parada. Prefiro minha companhia, observar os bigodes de minhas gatas, ver o desenho de seus pelos, prefiro andar descalça, me recuso a sorrir a toa. Meus interlocutores enlouqueceram e não desejo mais a presença de pessoas indigestas na minha vida. O espírito do tempo me mandou parar. Vou me economizar. Vou entender melhor a frase “existe o certo, o errado e o divertido”. Vou aceitar meus 150 anos e acalmar meu coração no deserto. A beleza dos gestos desinteressados está fora de estoque e parece que será descontinuada. Enquanto isso, serei mais sereia, achando tudo isso equivocado para quem só deseja ver além do Zeir Anpin. Agenta sua raptura, mas excede… excede…

Quem sabe assim, mais sincera, encontrarei alguém, ou muitas pessoas, que desejam sair desse padrão limitador e explodir em pó estelar novamente. E assim, começar um tempo mais humano e criativo. Humano e caloroso.

 

 

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